quarta-feira, 16 de novembro de 2011
INSEGURANÇA
Dizem que quanto maior a altura, maior o tombo. Pois é!
O medo demasiado de se expor, coloca-nos no patamar da ante sala, e pode ser entendido, muitas vezes, como um sintoma do mal da vaidade, aquela que se camufla de timidez.Outras vezes é realmente a incapacidade de lidar com coisas que estão distantes dos nossos conhecimentos. Não adianta querer fazer coisas sem a capacitação necessária para tal. A humildade é aspecto importante para evitar esse tipo de sofrimento, porque nos segura no lugar apropriado ao nosso grau de aplicação da vida, e nos garante a estabilidade emocional, para não cair em situações de risco. O maior bem em reconhecer a incapacidade própria, é o estímulo à busca de informações que possam pular da incerteza para a segurança. Tudo é possível de se aprender, não existem barreiras para essa aquisição, a não ser quando a própria pessoa se limita .Com o as facilidades da internet, qualquer área de aprendizado fica bem ali, a um clique do que antes, era tão distante. Pode parecer bobagem, mas quem vivem regado de orgulho, não se atreve a ver os seus impulsos menos felizes, seus limites naturais e constantemente se envolvem em situações embaraçadoras e nada agradáveis.
Muitos estudiosos garantem que a cultura e a educação é a base para o crescimento de um povo, e isso não pode ser contestado jamais, porque são os conhecimentos que liberta o raciocínio e garante alguma certeza na hora de agir. Quantas vezes jogamos fora a humildade e nos achamos capazes daquilo que ainda não aprendemos? Quantas rodadas de assuntos que não dominamos e mesmo assim participamos, dando opiniões que desmascaram a nossa pretensão de conhecimentos? Quantos enfrentamentos desnecessários, somos envolvidos, por não ter a humildade de dizer: Desse caso eu não sei, ou não tenho condições de opinar.
Muitos se deixam levar por um grupo, pelos amigos de convivência, e por ser, maria vai com as outras, não conseguem formar a própria personalidade, encontrando uma enorme dificuldade para dizer a palavra não, quando o seu uso é de extrema necessidade.
Viver e se relacionar é quase uma obra de arte, onde não basta só o talento, mas o pensamento ativo para monitorar os sentimentos que nem sempre são ajustados às provas que enfrentamos no dia a dia.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A morte não mata o espírito.
Quando me veio o desejo de criar um blog, eu logo pensei que seria uma forma de poder falar sobre o que venho aprendendo a respeito do espírito, ou alma, como queiram.
Diante de tantos problemas existenciais de características graves para o ser humano, muitos deles poderiam ser eliminados se a pessoas conseguissem vê-los sobre outro ponto de vista. Para mim foi de suma importância os ensinamentos que encontrei na vasta literatura espírita e espiritualista, que pôde assim ajudar-me no fortalecimento da fé, da esperança e da capacidade de acreditar em mim mesma, como um ser único e capaz de também aspirar por uma relativa felicidade, como qualquer pessoa.
Aos poucos eu descobri o quanto é importante aprofundar neste estudo, para então achar respostas, caminhos e libertar de muitos pesos, preconceitos, tabus e da estupidez, que tantas vezes causam tormentos, sem nenhuma necessidade para ninguém.
Muitos casos de suicídios que acontecem a todo instante no mundo e que deixam rastros de dor e desespero, poderiam ser evitados se os conhecimentos da vida após a morte fossem mais amplamente divulgados. É uma pena que a nossa cultura não é de leitura, o povo em geral não gosta de ler, não se dá o trabalho de pedir ajuda, sobre as coisas do espírito então, nem se fala, é mais complicado do que se pensa. Bastaria que a pessoa deprimida tivesse a consciência que a morte na verdade, não existe, portanto, a fuga através do suicídio não é nem de longe uma solução. O sofrimento que o motiva não se acaba com o fato consumado, pelo contrário, ele aumenta em proporções avassaladoras,quando o espírito passa a sentir todo o processo de decomposição do envoltório corporal, além de, em muitos casos, nutrir o arrependimento e o desejo ardente de voltar atrás.
São muitas as razões para que alguém desista da idéia de destruir a própria vida, a mais importante de todas, deve ser sempre, a gratidão e o respeito por aquele que nos deu a vida em suas diversas possibilidades, e não permite que a destruamos sem que antes tenhamos cumprido a missão pela qual ela nos foi permitida.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
MOLEQUE BREJEIRO
Onde eu nasci e cresci era como um vilarejo com muitos moradores, e todos se conheciam muito bem. Na venda do seu João, meu pai, era o lugar preferido dos encontros de domingo, principalmente depois do jogo de futebol, onde a turma se reunia pra contar vantagem e tomar umas e outras. Esse meu amigo era constantemente motivo de bronca dos colegas, do meu pai e também de mim. Apesar de ser bem mais jovem que ele, insistia muito para que ele mudasse, na esperança tola de que ele se corrigisse e assumisse as suas responsabilidades. Não ligava em pagar as contas,estava sempre endividado, quase não trabalhava e quando o fazia, chegava com o dinheiro da semana e gastava tudo no sábado, com os outros e com ele mesmo. E no domingo ja estava dependendo dos colegas para jogar comer, berber e jogar sinuca,que adorava. Ele não tomava jeito. Então o que se via era muitas tentativas de humilhá-lo, e tinha pessoas que adoravam fazer isso. Então eu pensava: Puxa vida! Essa ele não vai perdoar, engano meu, no outro dia, ele estava lá, como se nada tivesse acontecido. Quando eu falava alguma coisa para alertá-lo de sua irresponsabilidade, ele ria, levava tudo na brincadeira. Cresceu assim, tornou-se adulto assim, mas não guardava rancor de ningúem. Era no fundo, de bom coração, generoso com os outros. Nunca soube administrar a sua vida. O que eu quero destacar aqui, apesar dos defeitos, era esse seu lado benevolente, caridoso e amigo de todos, até daqueles que constantemente o humilhavam e o hostilizavam perante os outros. Ele era o muleque brejeiro, o saçi Perêrê, mas sempre capaz do esquecimento das ofensas e da reconciliação, como nenhum outro. Todas as vezes que eu vi acontecer de algúem se sentir magoado, ou eu mesma me sentir assim, eu reportava a imagem de quem sempre passava por cima, e ainda passa, pois ele continua até hoje do mesmo jeito. Eu ficava impressionada dessa capacidade de não guardar rancor, pois me lembro de ficar sempre grata quando eu também excedia nos excessos em chamar a sua atenção, e ele passava por cima, esquecia e perdoava. Não tenho dúvida de que, eu, que pensava poder ensiná-lo alguma coisa, é que tinha muito a aprender. Obrigada meu amigo.
